Entrevisa – Anderson Moreira, co-fundador do NCEP

por Andressa Fedalto

Anderson Luiz Moreira, 31 anos, co-fundador do Núcleo de Comunicação e Educação Popular, graduado em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas (2004) e em Jornalismo (2005) pela Universidade Federal do Paraná, aceitou conversar com a atual equipe para contar um pouco do processo de fundação do núcleo e sobre o trabalho que desenvolver atualmente.

Criado em 2003, a partir da iniciativa de alunos que buscavam uma maior inserção do comunicador social nos movimentos sociais e populares, o NCEP contou com a colaboração da Profª Drª Rosa Maria Dalla Costa, que viabilizou o projeto e conseguiu com que uma bolsa fosse destinada para cada uma das habilitações do Curso de Comunicação Social da UFPR: Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Relações Públicas. A equipe 2009/2010 é composta por cinco alunos bolsistas e seis voluntários, coordenados pela Profª Drª Luciana Panke, tendo como vice a antiga coordenadora e contando com a colaboração da Profª Drª  Kelly Prudêncio.

 

 NCEP: Como surgiu a idéia de fundar o NCEP? 

 ANDERSON: Não lembro exatamente de quem partiu a idéia de criarmos o Núcleo, mas creio que foi da Daniela Mussi, da Carla Cobalchini e da Ana Silvia Laurindo. Estas três, o Marcos Teixeira e eu estávamos envolvidos com Movimento Estudantil, com o CACOS, o Enecos, e o DCE. Então, em 2003 fomos para o Cobrecos (Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social), realizado em Porto Alegre, foi lá que decidimos criar o NCEP, a partir dos debates e das idéias levantadas no Cobrecos. Quando retornaram para Curitiba conversamos com a professora Rosa Dalla Costa que aceitou coordenar o Núcleo. Foi ela quem permitiu a existência do Núcleo enquanto projeto, propôs sua criação junto ao Departamento de Comunicação e a viabilização das bolsas. Naquele ano foi uma bolsa por habilitação, o que foi motivo de comemoração nossa. Depois vieram as professoras Natália Bueno, Gláucia Brito e por último a Luciana Panke, com quem tive contato através do parceria com o Cefuria. Esta parceria também começou em 2003.

 NCEP: Há um trabalho de conclusão de curso no ano de criação do NCEP. Como foi isso?

 ANDERSON: O TCC foi iniciativa minha e do Tiago Perretto, que não chegou a fazer parte do Núcleo. Conciliamos a necessidade de realização do TCC com as necessidades do Núcleo. Acredito que mais importante do que as ações propostas naquele projeto é a discussão que fizemos nele, na fundamentação teórica, sobre movimentos sociais e comunicação popular. Foi um aprendizado tremendo e definitivo para eu optar pela comunicação e educação popular. Sei que sou suspeito para falar, mas acho que vale a pena utilizar a fundamentação que fizemos como apoio para as formações que o Núcleo fizer.

NCEP: O que você e seus colegas esperavam atingir com a criação do núcleo?

ANDERSON: Depois de ter passado por Centro Acadêmico e pelo DCE nós entendiamos que nossa atuação precisava ir além das reuniões do DCE e das assembléias dos estudantes. Era muito mais gratificante ir, por exemplo, até o município de Itaperuçu e trabalhar com os estudantes do Colégio Estadual Frei Beda e, acima de tudo, aprender com eles. Hoje eu fico feliz em poder contar, por exemplo, com o Marcos Teixeira, graduado em Publicidade e Propaganda, que foi um dos idealizadores do NCEP e continua contribuindo como educador agora no “Ponto do Cultura”, mantido pelo Cefuria. Nossos objetivos no NCEP eram uma formação teórica em comunicação e educação popular e as ações em comunicação junto às comunidades. Nada de voluntarismo descompromissado, mas uma militância mesmo, no sentido de promover as ações e buscar alcançar resultados com elas.

NCEP: Quais as dificuldades surgiram no caminho?

ANDERSON: Acredito que a maior dificuldade foi a adesão dos demais alunos tanto no Núcleo quanto nas ações que ele desenvolvia. Nós fomos beneficiados pelas três bolsas que recebemos, isso ajudou muito a manter o Núcleo. Se eu não me engano, em 2004 tivemos um projeto aprovado pela UFPR e os recursos permitiram a compra de alguns equipamentos, que foram colocados em uma sala disponibilizada pelo Decom.

 NCEP: Como se sente sendo um dos fundadores? Você sempre se interessou por projetos que ajudassem a comunidade de algum modo?

 ANDERSON: Eu não queria ter passado pela Universidade apenas para ganhar um diploma, como muita gente faz: pegam o diploma e vão viver suas vidas e esquecem que devem parte de sua formação ao investimento público. Algumas pessoas esquecem que a UFPR é pública, mantida por toda a sociedade através dos impostos que nós mesmos pagamos. Por isso o grupo que criou o NCEP via nele a possibilidade de contribuir, de alguma forma, com quem não tinha acesso à formação universitária. O Núcleo nos ajudou a pensar coletivamente, e não individualmente.

 NCEP: Passaram sete anos desde a criação do núcleo. O que você faz atualmente?

 ANDERSON: Desde 2003, quando ainda estava no NCEP, desenvolvo meu trabalho como educador do Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araujo, o CEFURIA. Ministro oficinas e cursos de comunicação (principalmente rádio) voltados para adolescentes e jovens. Em paralelo, cuido da área de comunicação institucional, sendo responsável pelo nosso site (www.cefuria.org.br) e pelo acervo de vídeo e áudio do nosso Centro de Documentação e Biblioteca Popular Mara Vallauri.

NCEP: Como foi a parceria entre o NCEP e o CEFURIA? A oficina aconteceu no dia 22 de março, no Colégio Estadual Euzébio da

ANDERSON: Através da parceria entre o NCEP e o CEFURIA nós realizamos algumas ações juntos. A primeira foi a mesa redonda “Comunicação nos Movimentos Sociais” realizada em 2004, com auditório lotado. Convidamos a professora Denise Cogo (Unisinos/RS) e o sindicalista Vito Gianotti (Núcleo Piratininga). Outra ação importante foi a atuação na Rádio Escola do Colégio Estadual São Pedro Apóstolo, no Xaxim, em 2008. Lá tivemos uma ótima contribuição da Gabriela Mateos, na época bolsista do NCEP. Mas acredito que a parceria poderia ter sido mais efetiva e nós poderíamos ter feito mais coisas juntos. Não é culpa de um ou outro, mas dessa correria toda que consome nosso tempo como educadores.

NCEP: Qual a sua expectativa em relação ao NCEP?

ANDERSON: A principal é que o projeto não acabe! Que o Departamento de Comunicação da UFPR não deixe de perceber a importância dessa iniciativa. A USP, por exemplo, tem o NCE (Núcleo de Comunicação e Educação), com a coordenação do professor Ismar de Oliveira Soares, um dos acadêmicos que mais discutem a educação em comunicação. Não tenho dúvidas que o NCEP também pode se tornar uma referência no Brasil. E, espero ainda poder contribuir diretamente com o Núcleo. Acredito que podemos rediscutir a  parceria NCEP/Cefuria e “trocar figurinhas” principalmente no que diz respeito ao acompanhamento às rádios escolas de Curitiba e Região Metropolitana.

NCEP: O que você gostaria de dizer aos atuais e futuros integrantes do núcleo?

ANDERSON: Paulo Freire disse que “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os homens [e mulheres] se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Então, para os atuais integrantes, vejam nas pessoas COM QUEM (e não PARA QUEM) vocês trabalham a possibilidade de aprender algo que vai além da universidade. Nestes anos mais aprendi, principalmente com adolescentes e jovens, do que realmente ensinei. Para quem pretende entrar, que não pense no NCEP como uma oportunidade de cumprir as horas de atividades extra-curriculares, mas numa oportunidade diferenciada de aprendizado. ´Talvez esteja aí (atuar como educador em comunicação) o futuro enquanto profissional de comunicação.

 

Técnicas vocais de rádio – parte 2

Na segunda parte do nosso post, apresentamos alguns ótimos exercícios que podem ser usados em sala de aula. Eles foram retirados da apostila “Dicas para Comunicadores Populares”, da Recomsol/UCBC (Rede de Comunicadores Solidários da UCBC).

3 – Exercícios de dicção, articulação e respiração

Além de cuidar da voz, quem vai falar no rádio deve se preocupar também com a dicção, para que todos entendam o que está dizendo e se sintam estimulados a continuar ouvindo.

Há alguns exercícios que ajudam a melhorar a dicção como, por exemplo, colocar um lápis ou uma rolha na boca, no sentido horizontal, pressionar os dentes, e falar algumas frases e emitir sons. Depois, fazer massagens nas cordas vocais e no rosto.

Mas, o relaxamento de todo o corpo é fundamental antes de começar qualquer trabalho com a voz. Todos os dias faça os seguintes exercícios:

1. Alongue o tronco, elevando os braços bem para o alto e solte-os devagar;

2. Gire lentamente a cabeça para um lado e para o outro;

3. Gire os ombros: 3 vezes para a frente e 3 vezes para trás;

4. Solte, com suavidade, os braços e depois as pernas, relaxando-os;

5. Gire o quadril várias vezes para um lado e depois para o outro;

6. Gire a língua passando-a sobre os dentes e a gengiva;

7. Relaxe a laringe, emitindo o som de “Hummm” e realizando um movimento de mastigação, suavemente.

Todos esses movimentos devem ser lentos e suaves. O ideal é que cada passo seja feito 3 vezes. A postura do corpo também é muito importante. Procure manter os ombros, pescoço e coluna vertebral na posição correta, alongados, mas sem rigidez. Ao falar de pé, mantenha os joelhos relaxados e o tronco centrado, como se o centro do topo da cabeça estivesse sendo mantido elevado por um fio imaginário.

a) Exercícios de dicção

- Inspire pelo nariz – pausa – expire lentamente pela boca (repetir 5 vezes);

- Encha a boca de ar e exploda com o som de P;

- Assobie;

- Faça caretas colocando a língua fora da boca;

- Vibre a ponta da língua – trim, trim, trim;

- Pronuncie forçando a musculatura facial – a, i, u – a, i, u – a, i, u;

- Repita em voz alta os fonemas, forçando a consoante final:

AL EL IL OL UL – BAL BEL BIL BOL BUL – CAL KEL KIL KOL KUL – DAL DEL DIL DOL DUL.

Repita várias vezes o trava-língua a seguir:

Um prato de trigo para um tigre, dois pratos de trigo para dois tigres, três pratos de trigo para três tigres, quatro pratos de trigo para quatro tigres, cinco pratos de trigo para cinco tigres, seis pratos de trigo para seis tigres, sete pratos de trigo para sete tigres, oito pratos de trigo para oito tigres, nove pratos de trigo para nove tigres, dez pratos de trigo para dez tigres.

Pronuncie rapidamente evitando atropelar as sílabas:

- Novelas e novelos são as duas moedas correntes desta terra. Mas tem uma diferença: que as novelas armam-se sobre o nada e os novelos sobre muito, para tudo ser moeda falsa.

- Pedro Paulo Pereira Pinto Peixoto, pobre pintor português, pinta perfeitamente portas, portais, paisagens, prometendo prontidão por pouco.

b) Exercício para sibilação

- Na sibilação normal a língua não é colocada por trás dos dentes. Mas, com esses exercícios, você deverá forçar ao máximo a colocação da língua por trás dos dentes.

Zi… Si Vi… Fi Ji… Chi

Bi… Pi Di… Ti Gui… Qui

F… V, F… V, F… V S… Z, S…Z, S…Z X…G, X…G, X…G

c) Exercício para problemas de articulação do R

baR – baR – baR deR- deR – deR muR – muR – muR

feR – feR – feR joR – joR – joR quiR- quiR – quiR

Terê.. Terê.. Terê… Trê….Trê.. Trê

Fara… Fara… Fara… Fra….Fra…Fra

Coró.. Coró.. Coró.. Cró… Cró…

d) Exercício para o desenvolvimento das reservas de ar. Deve-se falar o máximo de palavras sem tomadas de ar

Gualhudos-gaiolos-estrelos-espácios-combucos-cubentos-lubunos-lompados-caldeiros-cambraias-chamurros-churriados-corimbos-cornetos-boicalvos-borralhos-chumbados-chitados.

Técnicas vocais de rádio – parte 1

Nas aulas ministradas na Escola Estadual Emiliano Perneta, técnicas vocais foram passadas aos alunos. A seguir, parte dos exercícios utilizados, retirados da apostila “Dicas para Comunicadores Populares”, da Recomsol/UCBC (Rede de Comunicadores Solidários da UCBC).

1. Preparando-se para falar

Falar bem é uma arte que exige domínio das regras do mecanismo vocal: técnica de respiração, técnica de fonação, pronúncia, articulação, dicção, preparação e perfeita impostação – que é o contrário de rigidez e enfeitamento.

Pontos essenciais para falar bem:

a) Entusiasmo: falar com o coração. Sentir e acreditar no que está dizendo.

b) Clareza: falar devagar, pronunciando e articulando de modo inteligente. Não comer os finais das frases e nem das palavras. Para isso, abra bem a boca e faça muitos exercícios de leitura.

c) Ênfase: dar a força de expressão necessária para a palavra ou a frase. A ênfase é a chave para levar ao significado do que está escrito. Sem a ênfase a palavra fica apagada, sem graça.

d) Modulação e Entonação: é a variedade na inflexão do tom da voz. É preciso saber entonar as frases interrogativas, imperativas e exclamativas.

e) Naturalidade: primeiro: não ler, mas comentar, contar, bater um papo. Segundo: a voz deve sair livre, sem esforço.

f) Pausa: essencial para uma boa locução, mas também precisa ser dosada. Falar sem pausas é algo mecânico, é simplesmente soltar as palavras sem tom nem som, é pronunciar palavras sem sentido.

g) Serenidade: não se deve correr, cada fala tem seu próprio ritmo. Se seu programa foi preparado conscientemente, no momento de ser levado ao ar o locutor estará relativamente sereno. Do contrário, a preocupação em fazer bem vai arrasar seus nervos e a fala vai refletir este estado de alma.

h) Ritmo: regulado, sem atropelar e sem ficar monótono. O próprio texto vai indicando onde se deve mudar o ritmo. As coisas tristes, normalmente, são ditas devagar. Já as descrições são feitas um pouco mais rápido. Quando se dão ordens, um pouco mais rápido e enérgico.

2 – Locutor bem informado:

Além da boa dicção e da voz “trabalhada”, o locutor deve ter a preocupação de estar bem informado sobre o que acontece na comunidade, no estado, no país, no mundo e, evidentemente, sobre o que vai apresentar no programa. O locutor deve ter o costume de ler livros, jornais, revistas, etc.

Antes de pegar o microfone, o locutor deve ver o que vai ler, esclarecendo dúvidas sobre pronúncia de nomes de pessoas e lugares, e conhecer bem o assunto que vai falar.

É bom estar afinado com o operador, pois se ocorrer algum imprevisto ele saberá como agir. Por exemplo: acontece do locutor engasgar ou precisar tossir e com um simples aceno para o operador ele pode ter um tempinho de uma vinheta, uma subida do BG ou um comercial para se recompor.

Ao falar no rádio é importante saber também qual é a distância que devemos manter do microfone. Isso vai depender muito do tipo de equipamento, da sua potência e do timbre de voz do locutor. Mas, em geral, aconselha-se uma distância de 20 centímetros, um palmo, entre o microfone e a boca de quem está falando.

Como já vimos, a linguagem do rádio é basicamente oral. Cabe ao comunicador envolver o ouvinte com a sua fala, e falar de uma maneira que crie imagens na cabeça das pessoas, para que elas “vejam” aquilo que está sendo contado. Sem isso, a relação do rádio com as pessoas torna-se fria e não há comunicação.

O locutor deve estar atento também à postura que adota no rádio. Sua atitude não deve ser moralista, autoritária, professoral ou arrogante. O que deve buscar sempre é a intimidade, a amizade, o respeito e a seriedade com o ouvinte. É mais uma atitude de igualdade e compreensão.

Algumas posturas que devem ser evitadas pelos locutores são:

1. Dr. Sabe tudo: aquele que acha que sempre está certo e tenta impor sua verdade a qualquer custo.

2. Estrela: aquele que se acha o melhor e que o ouvinte sem ele não é nada.

3. Militar: aquele que determina o que o ouvinte deve fazer e tem que ser do jeito que ele manda, senão corre o risco de ser severamente criticado e até desprezado.

4. Relator: aquele que fala como se estivesse lendo um jornal, sem qualquer emoção.

5. Inconveniente: o que gosta de fazer piada de mau gosto e se acha o máximo.

Coluna Cidadania – Inclusão Digital e Social

Andressa Fedalto

As novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC´s) trouxeram mudanças no modo de pensar e agir da população. A possibilidade da interatividade, do acesso a comunicação,  dos debates em fóruns on-line e de espaços para os usuários divulgarem o que pensam proporcionados pela internet nos dá a impressão de que, finalmente, somos livres. A tão sonhada liberdade de expressão está ao alcance de “todos”. Mas quem são essas pessoas privilegiadas pelas tecnologias da informação mediadas pelo computador? As comunidades carentes, os mais pobres e pessoas com uma posição econômica desprivilegiada têm realmente acesso a esta nova era da informatização? Quando em frente ao computador, navegando na internet, elas sabem o que fazer?

Ainda há muita gente excluída digitalmente devido a falta de acesso à tecnologia e esta exclusão agrava a desigualdade social. O sentimento de igualdade social sem hierarquias proporcionado pela conexão em rede nos dá a falta impressão de que “todo mundo sabe de tudo”. No entanto, é um grande mito pensar que toda a sociedade está em rede visualizando e compreendendo as informações disponível na internet. Uma grande parcela da população ainda não sabe o real significado da palavra inclusão. Incluir um cidadão digitalmente não é apenas ensinar a ele como abrir um e-mail e participar das redes sociais. Inclusão digital pressupõe produção e compartilhamento de conhecimento a fim de melhorar as condições de vida do usuário. Não basta estar à frente de um computador com acesso a rede sem o domínio dessas ferramentas.

O limite do mundo acessível a todos está, portanto, na competência. Acessar a toda e qualquer informação exige uma bagagem cognitiva que permita a compreensão do que está disponibilizado na internet. Nem tudo o que está postado na internet é verídico, é preciso um senso crítico para discernir as informações contidas na web. Por esse motivo é que, até o presente momento, a rede virtual não reduziu as desigualdades sociais.

Durante anos a luta foi pelo direito a informação, pela liberdade de expressão. A luta agora deve ser pela acessibilidade dos cidadãos exercerem esse direito, que pode começar – por que não? – pela verdadeira inclusão digital. Reitero aqui que, em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores.

Coluna Cidadania – O Pilar

Olívia Baldissera

Segundo dados do IBGE do ano 2000, a taxa de escolarização da população brasileira, entre 7 e 14 anos de idade, é de 94,5%. Isso deveria ter um significado positivo, afinal, quase a totalidade dos brasileiros teve acesso à escola. Entretanto, o número alto mascara o estado péssimo do ensino brasileiro: escolas sem infraestrutura para atender aos alunos, falta de professores e de material didático, evasão escolar, analfabetismo funcional. Pode-se dizer que o início do problema está na massificação da educação, mas de algo amplo a questão passa a ser mais específica, centrando-se na figura do professor.

A capacitação e o desempenho dos professores interferem na qualidade do ensino, isso é fato. Uma pesquisa realizada no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, comparou o desempenho de dois alunos de oito anos de idade durante três anos, espaço de tempo em que seriam ensinados por dois professores diferentes. Inicialmente o desempenho e o aproveitamento acadêmico de ambos era o mesmo, com um índice de 50%, porém com o passar do tempo surgiu uma grande diferença. O aluno que teve o maior índice de aproveitamento acadêmico, de 97%, teve aulas com um professor de alto desempenho, enquanto o aluno de menor índice, de 37%, teve aulas com um professor de baixo desempenho. Agora transfira essa situação aos alunos brasileiros que nem ao menos têm aulas com professores graduados – estima-se que 213 mil docentes de 5ª a 8ª série da rede pública de ensino não tenham licenciatura.

Fonte: Revista Nova Escola, outubro de 2008

Os baixos salários são um dos motivos que desencorajam alguém a seguir a carreira de professor – afastando assim pessoas mais capacitadas para seguir a profissão. O salário é, em média, R$700,00, o que leva um professor a trabalhar em duas ou três escolas. E esse é outro fator que diminui a qualidade do trabalho do professor, pois se dedicar a diversos empregos é exaustivo e diminui as chances de mostrar todo o potencial do profissional. Um bom exemplo de qualidade é a Coreia do Sul, onde os professores, da pré-escola à universidade, são obrigados a ter mestrado e a trabalhar em apenas uma instituição de ensino. Ainda, tal profissão é uma das mais bem pagas do país.

A profissão de professor, infelizmente, é desvalorizada no Brasil. Mas esquecem que ela é um dos pilares da sociedade, que é essencial para a formação de cidadãos conscientes e críticos. Apenas quando for percebido o verdadeiro valor do professor o Brasil conseguirá crescer.

Coluna Cidadania – Entre os Muros da Escola

Tiago C. G. de Andrade

Depois de assistir a um belo filme chamado “Entre os muros da escola”, que expõe, através do cotidiano de um professor e de sua turma numa escola pública francesa, o tão conhecido abismo existente entre docentes e discentes atualmente, e de ter acompanhado a greve dos professores em São Paulo através de suas repercussões midiáticas, parei para pensar um pouco sobre o que é ser professor.

Professor talvez seja a profissão mais irônica do mundo. Mesmo que as duas palavras tenham a mesma origem etimológica, uma não existe sem a outra.

Afinal, na teoria, o professor é aquele que tem como profissão ensinar; é um educador, formador de cidadãos críticos, função base da sociedade democrática e por aí vai.

Ora, se o papel do professor é tão fundamental, então deve ser a profissão mais respeitada e remunerada de todas, não é mesmo? Não precisa ser professor pra detectar a ironia aqui.

Na prática, por mais que a remuneração não esteja à altura de seus papéis (usando de eufemismo), que sejam menosprezados e desrespeitados – enfim, por mais que o abismo seja real, muitos professores se esforçam continuamente em suas funções: incentivam os alunos a saírem de suas condições, preparam aulas, corrigem madrugadas a fio, se engajam em projetos sociais e mobilizações, são agentes transformadores da comunidade em que atuam e etc.

Ser professor hoje parece muito com ser aqueles super-heróis que salvam o mundo, mas o mundo é muito mal agradecido a eles.  Missão nobre e árdua é ensinar.  E quando nos damos conta disso e incentivamos os professores a saírem dos muros da escola e irem para as ruas reivindicar seus direitos, e devido respeito, eles são chamados de “baderneiros” nos jornais; mais uma ironia para a profissão.

Nessa situação, tudo que me resta dizer é: Professores de verdade, muito obrigado. O esforço de vocês nunca será em vão.

Coluna Cidadania – Voto: Direito ou Dever?

Andressa Fedalto

O voto é forma legal de escolher quem irá nos representar politicamente, mas a discussão sobre a obrigatoriedade ou não do voto é um assunto que sempre vem à tona em ano de eleições. No Brasil, o voto é facultativo a partir dos 16 anos e obrigatório a partir dos 18 anos.

A atual discussão sobre o voto por vezes perpassa os avanços adquiridos ao longo dos séculos. Já tivemos muitas conquistas com relação ao voto. O atual sufrágio universal, por exemplo, não faz distinções de gênero, crença, etnia ou classe social, mas nem sempre foi assim. Até o século XIX o voto era exclusivo para homens adultos. A partir do século XX, na maioria dos países democráticos, o voto foi estendido às mulheres.

O mais importante, no entanto, é entender que a democracia só se consolida quando há uma participação efetiva das pessoas na vida pública, não só através do voto, mas também do controle social. Os cidadãos precisam e devem exigir o cumprimento da lei por parte do governo. A Constituição de 1988 corresponde a um marco na redemocratização e no resgate da cidadania, mas é preciso que cada cidadão faça valer seus direitos, cobrando transparência e promessas feitas em época de eleição. Afinal, ser cidadão é é ir contra a corrupção, é fiscalizar as atitudes dos governantes, é cumprir os deveres e exigir os direitos que estão na Constituição, é ter acesso a informação, a liberdade e a igualdade.

A participação deve ser uma oportunidade acessível a todas as pessoas, sem privilégios para determinado segmento da população. Seja sob a simples forma de ação pessoal ou pela organização de instituições, a participação é a forma para alcançar a plena democracia. Por intermédio dela, o cidadão passa a atuar na tomada de decisões políticas, cobrando ações do Estado, contestando políticas públicas deficientes e expressando sua escolha nas eleições através do voto.

Enquete: Você acha que o voto, no Brasil, deveria continuar sendo obrigatório ou deveria passar a ser facultativo?

 

“Sou a favor do voto facultativo. No entanto, a atual realidade brasileira não possibilita este quadro, já que a desiqualdade social procionaria a volta do voto de cabestro”. Anna Emília Soares, 7º Período de Jornalismo – UFPR.


“Antes do voto passar a ser facultativo, precisariam mudar algumas coisas. Sendo facultativo, votariam as pessoas que entendem a importancia do voto e assim votariam com mais convicção. A escolha seria por ideologias e não por obrigação”. André Petrini, 7º Período de Publicidade e Propaganda – UFPR.


“A pergunta é complicada. Tudo o que é imposto não soa muito bem. Mas como no Brasil não há grande interesse na política, o ideal é que o voto continue obrigatório para tentar envonver mais as pessoas nesta questão”. Fernanda Basso, 3º Período de Relações Públicas – UFPR.