O QUE ACESSAR – The Travel Film Archive

Que tal ver a São Paulo dos anos 40? Ou as luzes de Paris em 1920? O site disponibiliza filmes de vários lugares do mundo entre os anos 1900 e 1970. São vídeos de pequena duração feitos, por exemplo, pelo governo dos EUA para criar relações de amizade com os países da América Latina. Também há pequenos documentários de viajantes, como Burton Holmes e Andre de La Varre.

Acesse: http://www.travelfilmarchive.com/

CEFURIA – Curso de capacitação de agentes

O Cefuria (Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araujo), parceiro do NCEP, abriu inscrições para o Curso de Capacitação de Agentes, ação do Ponto de Cultura Produtora de Áudio Popular, em uma iniciativa do Cefuria em parceria com o Ministério da Cultura. O curso visa a capacitação técnica e política de jovens e adultos para trabalhos em rádios comunitárias, rádio escolas e produções de áudio. Oferece módulos de educação popular, comunicação popular, locução, reportagem, radionovela e radioteatro, entre outros. Mais informações e a ficha de inscrição no site do Cefuria: http://www.cefuria.org.br/site/home/index.php

Entrevista – João Brant, da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária

O radialista João Brant é membro da Coordenação Executiva do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Ele foi um dos convidados na última quarta-feira, 23, do lançamento da Rede Paranaense de Comunicadores pela Reforma Agrária.  A reunião, realizada na APP Sindicato, contou com a participação de comunicadores de diversas áreas. Em entrevista ao site do NCEP, Brant conta sobre o lançamento da Rede e fala sobre o envolvimento da mídia com a questão da reforma agrária.

por Felipe Nascimento

NCEP: O que é e qual a proposta da rede de Comunicadores pela Reforma Agrária?

JOÃO BRANT: É uma rede formada por vários indivíduos e organizações, hoje são mais de 300 signatários. Ela surge na tentativa de trabalhar duas coisas: primeira a contra informação, ou seja, encontrar um espaço para informações que voce não encontra nos grandes meios; segundo é responder ao processo de criminalização dos movimentos socias, trabalhando como resposta às acusações e mostrando os aspectos positivos.

NCEP: Como foi a primeira reunião da Rede no Paraná e o que foi decidido?

JOÃO BRANT: O que se viu é que existe um grande conjunto de comunicadores a favor da causa, que estão nas universidades, na comunicação alternativa, nos sindicatos. O que se decidiu é criar um plano de trabalho que vai ser aprovado numa reunião no dia 7. A ideia é que se tenha ações em diferentes frentes: produção de matérias, formação e educação, e atuação específicas em coberturas para o acompanhamento da conjuntura da reforma agrária. Isso vai ser ótimo, o Paraná é um estado chave para pensar a questão agrária no Brasil e ter uma rede de comunicadores aqui é fundametal.

NCEP: Como a mídia deveria tratar a questão agrária do Brasil?

JOÃO BRANT: Deveria tratar como deveria tratar todo assunto, trazendo diferentes pontos de vistas, diversidade e pluraridades de visões. É preciso tratar o tema na sua complexidade: não simplicar a reforma agrária com ocupação de terras, mas procurar entender se há ou não problema da concentração fundiária do Brasil. Nós precisamos entender o contexto das notícias. Tem que se trabalhar um fato com outros cojuntos de fatos que interefiram nele. Claro que não dá para tratar isso toda vez numa matéria, mas é preciso fazer que o telespectador consiga entender o problema na sua complexidade.

NCEP: Na sua opinião, existe relação entre a concentração de terra e da mída que ocorre no país?

JOÃO BRANT: Existe, porque é um país pouco democrático, com poucos instrumentos de regulação e garantia da democratização da terra e do acesso às ondas eletromagnéticas. Além disso, há interesses em comum entre os dois, afinal estamos falando de uma questão de classes em que os interesses da elite são similares. Às vezes o dono de uma grande mídia é também um dono de terra, mas nem precisa ele ser dono de terra para que ele defenda aquele ponto de vista. Ele já tem mais ou menos a mesma perspectiva de um grande latifundiário.

NCEP: Quais as formas do público ter outras visões das notícias em meio há atual conjuntura da mídia?

JOÃO BRANT: A primeira atitude que indico é utilizarmos um slogan dos escoteiros: estejamos sempre alertas. Ou seja, desconfiemos, ouçamos as notícias sabendo que há uma perspectiva nela, há um lado. É dificíl você pensar nas outras perspectivas que não estão na matéria, mas é preciso fazer esse esforço. Segunda coisa é buscar outras fontes de informação. Se você de fato se interessa, por exemplo, por educação, procure o que as escolas estão discutindo, o que pensam os donos de escola,os trabalhadores, as visões dos professores; agora com a internet há muita possibilidade de acesso a outras fontes de informação. Outra ação é tentar acompanhar um tema. Se eu não acompanho um assunto e vejo uma notícia, o fato vai estar isolado e não vou conseguir entendê-lo no contexto. Entender a notícia é entender o contexto e o histórico do processo pelo qual ela se insere. Se você só quer ter uma ilustração de algum assunto, veja e desconfie da notícia. Mas se você quer de fato entender sobre determinado tema, não se satisfaça com o que os jornais trazem. Tome isso como ponto de partida e não como ponto de chegada.

Mais informações sobre o movimento em http://www.reformaagraria.blog.br/

Entrevista – Lorène Monique Lairé, pós-graduanda da UEL

por Guilherme Magalhães

Lorène Monique Lairé, 24 anos, faz pós-graduação em Comunicação Popular e Comunitária na Universidade Estadual de Londrina. Formou-se em Relações Públicas no ano de 2009, e desde 2008 participa do Núcleo de Comunicação Popular da UEL (NCP). O núcleo é coordenado pelo Professor Rozinaldo Miani, que também está organizando o I Simpósio de Comunicação Popular e Comunitária, a ser realizado entre os dias 23 e 25 de junho na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Lorène veio a Curitiba visitar o CEFURIA, devido ao tema de sua Tese de Conclusão de Curso (TCC), quando irá desenvolver uma pesquisa sobre as Relações Públicas Apropriadas pelos Movimentos Populares. Aproveitando a passagem pela cidade e a proximidade do trabalho do NCEP com o tema de seu trabalho, Lóli (como ela gosta de ser chamada) participou da reunião do Núcleo no dia 10 de junho. Confira mais detalhes sobre o NCP da UEL e o simpósio que eles estão organizando na entrevista abaixo:

NCEP: Como você começou a gostar de comunicação popular?

LÓLI: Foi quando eu ainda estava no 1° ano de Relações Públicas. Logo na primeira aula, a professora dividiu a classe em grupos para pesquisar o primeiro, segundo e terceiro setores. O primeiro é representado pelo Estado, o segundo pela iniciativa privada e o terceiro pelas organizações não-governamentais (ONGs). Eu fiquei com o 3° setor e decidi conversar com o profº Rozinaldo. Ele não só me ajudou na pesquisa, como me convidou a conhecer mais de perto o estudo dos movimentos populares. Eu quero a transformação social, por isso me interessei de imediato pela comunicação popular, ao contrário da maior parte dos profissionais de Relações Públicas, que seguem a comunicação organizacional das empresas privadas.

NCEP: Quais diferenças você observou entre o NCP e o NCEP?

LÓLI: Bom, o NCP é um núcleo mais focado na pesquisa, nós ainda não desenvolvemos a prática. Já o NCEP é um núcleo de extensão, que também aborda a educação comunitária. Outro detalhe curioso é que o NCP começou com o pessoal da pós-graduação e só agora o pessoal da graduação está chegando, ao contrário do NCEP, onde os alunos da graduação iniciaram o trabalho e depois o pessoal do mestrado veio. Mas o importante é o intercâmbio, ter as duas áreas discutindo ideias é fundamental para a qualidade do trabalho.

NCEP: Como você analisa a diferença entre os conceitos de comunicação popular e comunicação comunitária?

LÓLI: Na comunicação popular, o forte é a palavra “popular”, que vem do povo, dos dominados, dos que não têm voz. A comunicação comunitária é ligada à comunidade, na qual os membros dela têm que se ver como comunidade. Às vezes, isso não acontece. Então, a comunicação é quem pode fomentar o grupo a tornar-se uma comunidade e ser visto como tal.

NCEP: Conte-nos um pouco sobre o trabalho desenvolvido pelo NCP e sua visão a respeito da comunicação nos movimentos sociais.

LÓLI: Nossas discussões se voltam para os movimentos sociais, em como eles podem atuar “nadando contra a corrente”, contra a grande mídia, que nunca demonstrou interesse pelo social. E a comunicação é o principal instrumento nessa luta. O grupo tem de aproveitar todos os espaços, as mídias, para fazer chegar a informação até a sociedade. É muito importante o fato da Internet ainda ser livre, ao contrário de rádio e TV, que funcionam por meio de concessões do Estado.

NCEP: Agora em junho teremos o I Simpósio de Comunicação Popular e Comunitária, organizado pelo NCP em parceria com a pós-graduação da UEL, com o apoio da Fundação Araucária e do Sindicato dos Jornalistas do Paraná. Como surgiu a ideia para o simpósio?

LÓLI: Nós sempre sentimos a necessidade de fomentar a discussão sobre a comunicação popular e comunitária. Juntamos a isso a preocupação em acompanhar os alunos já formados, trazê-los novamente ao ambiente acadêmico, debatendo questões que agora são parte da carreira deles. Iniciamos a organização do simpósio já no ano passado, e corremos contra o tempo para conseguir trazer todos os convidados. A ajuda financeira que recebemos foi fundamental para a realização do evento, o qual deixa o NCP mais sólido e pronto para novos desafios.

Entrevista – Gilmar Freitas, o visionário

por Andressa Fedalto

Gilmar de Freitas Mariano, 26 anos, é um exemplo de inclusão social. Aos 12 anos perdeu a visão em um acidente com arma de fogo e reaprendeu a conhecer pessoas e objetos pelo tato e pelo som. Continuou os estudos a princípio numa escola de educação especial através do método Braille e Soruban e posteriormente ingressou no ensino convencional. Gilmar fez estágios durante o ensino médio e também durante a graduação. Hoje é pedagogo, especializado em administração estratégica e gestão da qualidade e trabalha como analista Junior num grande banco. Ele aceitou conversar com o NCEP para contar um pouco da sua história, discutir sobre a acessibilidade dos deficientes visuais nas ruas de Curitiba, cultura e muito mais! Confira!

NCEP: Quando saiu da escola especial e passou a conviver com colegas e professores não-habituados a lidar com uma pessoa com deficiência visual, como se sentiu?

GILMAR FREITAS: O problema é exatamente este “professores não-habituados a lidar com uma pessoa com deficiência visual” e também alunos, pois temos que provar a todos que somos capazes. Também é preciso ter força para não desistir ao ouvir frases como “Coitadinho, ele não vai conseguir!” ou “Você deveria estudar numa escola especial!”. Outro desafio para a escola inclusiva são as aulas excludentes onde os professores não capacitados para ensinar o aluno deficiente visual. Os professores acabam substituindo provas por trabalhos, explicam de maneira visual onde somente quem pode visualizar entende. Na aula de matemática, por exemplo, é muito comum ouvir o professor dizer “Pega o número de cima e divide pelo de baixo”, ao invés de dizer  quais são os números

NCEP: Por que escolheu cursar pedagogia?

GILMAR FREITAS: Para contribuir na formação de uma sociedade mais inclusiva. Hoje apesar de não atuar como pedagogo, desenvolvo vários trabalhos de consultoria em educação inclusiva e estou à disposição para responder entrevistas de cunho educativo como esta e também para auxiliar ou tirar dúvidas de professores através de meu e-mail pessoal: gilmarfmariano@onda.com.br.

NCEP: Você sentiu dificuldades ao ingressar no mercado de trabalho?

GILMAR FREITAS: Não tive dificuldade, pois já comecei a trabalhar com sistema de voz para leitura das telas do computador desde o meu primeiro emprego. Aliás, considero isto um grande avanço. Atualmente desenvolvo meu trabalho com o auxílio do computador e da internet e sem estas tecnologias adaptadas os deficientes visuais seriam excluídos digitalmente.

NCEP: No mês passado, o Paraná Online publicou a notícia de que toda a cidade de Curitiba será sinalizada com pistas táteis, a fim de facilitar a locomoção de pessoas portadoras de deficiência visual. Qual sua opinião sobre isso?

GILMAR FREITAS: O correto seria reformar todas as calçadas, a pista tátil foi uma alternativa mais barata e de fácil execução. O problema é que todos vão utilizar a pista juntamente com as pessoas com deficiência visual e assim poderemos encontrar obstáculos no meioda pista. A lei prevê que nos terrenos públicos é obrigação da prefeitura construir e manter as calçadas, enquanto que os proprietários são responsáveis pela conservação das calçadas localizadas em frente aos seus imóveis. Se a calçada não é construída ou conservada, a prefeitura poderá executar a obra e cobrar essas despesas do proprietário. É responsabilidade do município fiscalizar a execução correta da pavimentação do passeio em frente ao imóvel de proprietários de terrenos, edificados ou não, localizados em logradouros que tenham ou não meio fio, de modo a mantê-los em bom estado de conservação, como previsto no artigo 28 da Lei Complementar º 12/1975. Sendo assim, fica claro que em Curitiba não há esta tal fiscalização da pavimentação!

NCEP: Mas você acredita que as pistas táteis são úteis ou limitam a locomoção do deficiente visual?

GILMAR FREITAS: Acho a pista tátil útil em ruas como a XV de Novembro, blocos e espaços abertos sem guia de direcionamento e em praças, no mais se houver o correto alinhamento dos prédios, casas e melhorias nas calçadas (incluindo a remoção ou sinalização dos obstáculos não percebidos pela bengala como orelhão, árvore e outros) resolveria os problemas encontrados pelos deficientes visuais ao se locomoverem de forma independente.

NCEP: Falando um pouco sobre inclusão cultural, você acredita que os deficientes visuais brasileiros estão satisfeitos com a quantidade de livros para ouvir e em Braille ?

 GILMAR FREITAS: Acredito que sim, já trabalhei na seção Braille da Biblioteca Pública do Paraná e lá, a exemplo de outras bibliotecas e entidades, são disponibilizados alguns livros em Braille e outros em formatos digitais como audiobook e formatos compatíveis com os softwares de leitura em tela.

NCEP: Gostaria de deixar algum recado?

GILMAR FREITAS: Caro leitor, você poderá contribuir com uma sociedade mais inclusiva se informando sobre as lutas das pessoas com deficiências e as ajudando de alguma forma. Já às pessoas com deficiências gostariam de lembrar aquela frase que diz que devemos fazer parte da mudança que queremos ver no mundo!

Leia mais sobre educação inclusiva em: http://www.facinter.br/revista/numeros/3educacao.htm

Saiba mais sobre mim em: www.gilmar.dahora.net

O que acessar – Dicas de sites e blogs

http://www.midiasemmascara.org/

Desde agosto de 2002, o MÍDIA SEM MÁSCARA é um web site destinado a publicar as ideias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas ou distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira. Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma ideia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional.

Guilherme Magalhães

O que ler – Dicas de leituras

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

José Murilo é professor da UFRJ e faz uma análise pautada na santíssima trindade de T.H. Marshall sobre a cidadania: direitos civis, políticos e sociais. O historiador pinta um retrato da história brasileira e mostra como esses direitos foram invertidos no Brasil, não seguindo a ordem cronológica de gestação. O autor também apresenta uma série de obstáculos (históricos e atuais) para atingirmos a plena cidadania e apresenta suas sugestões de mudança.

Guilherme Magalhães

Programas da Rádio Escola Para Todos

Durante o ano de 2009, na oficina de rádio ministrada pelos integrantes do NCEP na Escola Estadual Emiliano Perneta, foram produzidos pelos alunos nove programas de rádio. Confira oito deles abaixo:

Coluna Cidadania – Rádio Comunitária e Desenvolvimento Local

Andressa Fedalto

Por definição, a rádio comunitária é uma radiodifusão sonora, em freqüência modulada (FM), de baixa potência (25 Watts) e cobertura restrita a um raio de 1 km a partir da antena transmissora. Esse serviço se destina a associações e fundações comunitárias sem fins lucrativos. As prestadoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária podem transmitir patrocínio sob a forma de apoio cultural, desde que restritos aos estabelecimentos situados na área da comunidade atendida.

A rádio comunitária, num sentido geral, tem por objetivo transmitir uma programação de interesse social vinculada à realidade local. Sem fins lucrativos, as rádios comunitárias contribuem para “ampliar a cidadania, democratizar a educação informal e o nível de cultura dos receptores sobre temas diretamente relacionados às suas vidas” (PERUZZO, 2007). Essas rádios, enfim, se baseiam em princípios de comunicação libertadora que tem como fundamento a ampliação da cidadania.

Por pertencer a uma comunidade, a rádio comunitária não tem dono e dessa forma a comunicação comunitária tende a ser democrática. Embora existam casos de rádios comunitárias que não estão comprometidas com a melhoria da “comunidade”, esse é o aspecto que norteia a existência de uma RadCom. Há casos, também, em que há uma grande centralização na grade de programação da rádio, não permitindo a participação popular e descaracterizando o sentido de sua existência. Duarte (2009) afirma que em geral

“os veículos públicos ainda possuem dificuldades orçamentárias, excesso de influência política, pouca participação da sociedade na gestão e foco na divulgação das instituições a que estão ligados. O resultado costuma ser pouca penetração junto ao público e restrição do potencial original” (DUARTE, 2009: 66).

A radiodifusão comunitária, no entanto, representa a conquista do acesso aos meios de comunicação por parte dos movimentos populares e das comunidades e, portanto, sua autorização de funcionamento sai em nome de fundações ou associações e por esse motivo a programação deve ser de acordo com interesse dos cidadãos. O problema é que a concessão para que essas rádios funcionem legalmente não é tão fácil quanto deveria, existe uma grande burocracia para que a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) libere uma freqüência para que elas funcionem e isso contribui para que ainda existam muitas Rádios Comunitárias clandestinas.

De qualquer forma, a rádio comunitária pode contribuir para o desenvolvimento social e local mais do que qualquer outra rádio. Afinal, a razão de ser uma RadCom está na ampliação dos exercícios e direitos de exercer a cidadania de uma comunidade. No que se refere aos conteúdos veiculados na RadCom e sua gestão, “quanto mais democrática for uma rádio comunitária, mais estará contribuindo para ampliar o exercício dos direitos e deveres de cidadania” (PERUZZO, 2007). Portanto, as rádios comunitárias estão diretamente interligadas com o processo mobilização e ampliação da cidadania. Isto porque qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá o direito de emitir opiniões sobre quaisquer assuntos abordados na programação da emissora, bem como manifestar idéias, propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações.

Referências
DUARTE, Jorge. Instrumentos de Comunicação Pública. In Comunicação Pública: Estado, Mercado, Sociedade e Interesse Público. São Paulo: Altas, 2009.
PERUZZO, Cicilia Maria Krohling. Comunicação para a Cidadania. Cicilia Maria Krohling Peruzzo e Fernando Ferreira de Almeida (organizadores).-São PauloÇ Intercom, Salvador, UNEB,2003. 296 p.
PERUZZO, Cilília Maria Krohing. Rádio Comunitária, Educomunicação e Desenvolvimento Local. In O retorno da comunidade: os novos caminhos do social, organizado por Raquel Paiva. Rio de Janeiro, Editora Mauad, 2007. http://www.ciciliaperuzzo.pro.br/artigos/radio_comunitaria_educomunicacao_e_desenvolvimento_local.pdf, acessado em 05 de maio de 2010.

Coluna Cidadania – Comunicação e desenvolvimento social

Carolina Bertuol

Em uma entrevista publicada pela revista Época (nº623), no dia 26 de abril, o economista americano, Charles Kenny, que trabalha para o Banco Mundial na área de reconstrução e desenvolvimento, afirma ser a televisão o meio de comunicação mais influente e capaz de trazer grandes contribuições sociais. Segundo Kenny, programas de televisão ajudaram na redução das taxas de natalidade, no incentivo ao ingresso de crianças nas escolas, bem como, na redução da aceitação de violência doméstica. Para ele, isto acontece, pois além da televisão ter um grande alcance, estando presente, como por exemplo, em 97% dos domicílios brasileiros, as pessoas assistirem TV cerca de 10 bilhões de horas por dia, estando desta maneira suscetíveis a receber informações de interesse público, comum a todos.

O economista ressalta, “Temos 40 anos de estudos que mostram que crianças que assistem Vila Sésamo leem mais, sabem mais inglês, matemática e ciência, além de valorizar mais suas conquistas acadêmicas”.

A entrevista corrobora a importância do papel dos meios de comunicação na busca do desenvolvimento social. Programas televisivos que tratam de assuntos pertinentes a sociedade, permitem a difusão de informações relacionadas a saúde, a educação, a conscientização política.

Desta maneira, Duarte (2007, p.105) afirma que a comunicação é o ponto de partida e de encontro para o processo da cidadania. Abordar temas de interrese público em um veículo de extremo alcance, como a televisão, é contribuir para o desenvolvimento democrático da sociedade.

“A crescente demanda pela participação social nos meios de comunicação, especialmente locais e comunitários, permitiu a inclusão de novos atores e novas mídias, que têm promovido a diversificação de programas, de conteúdos e até mesmo de canais midiáticos específicos para as necessidades de diferentes públicos/comunidade [...]. A abertura desses novos espaços de teledifusão tem contribuído para promover o aumento da diversificação de emissores e conteúdos, o que representa um avanço na busca do desenvolvimento (…)” (DUARTE, 2007, p.106).

FERRARI, Bruno. “A TV vai salvar o mundo”. Época, n. 623, p. 76-78, abr. 2010.

DUARTE, Jorge. Comunicação pública: Estado, governo, mercado, sociedade e interesse público. São Paulo: Atlas, 2007.