Coluna Cidadania – O Pilar

Olívia Baldissera

Segundo dados do IBGE do ano 2000, a taxa de escolarização da população brasileira, entre 7 e 14 anos de idade, é de 94,5%. Isso deveria ter um significado positivo, afinal, quase a totalidade dos brasileiros teve acesso à escola. Entretanto, o número alto mascara o estado péssimo do ensino brasileiro: escolas sem infraestrutura para atender aos alunos, falta de professores e de material didático, evasão escolar, analfabetismo funcional. Pode-se dizer que o início do problema está na massificação da educação, mas de algo amplo a questão passa a ser mais específica, centrando-se na figura do professor.

A capacitação e o desempenho dos professores interferem na qualidade do ensino, isso é fato. Uma pesquisa realizada no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, comparou o desempenho de dois alunos de oito anos de idade durante três anos, espaço de tempo em que seriam ensinados por dois professores diferentes. Inicialmente o desempenho e o aproveitamento acadêmico de ambos era o mesmo, com um índice de 50%, porém com o passar do tempo surgiu uma grande diferença. O aluno que teve o maior índice de aproveitamento acadêmico, de 97%, teve aulas com um professor de alto desempenho, enquanto o aluno de menor índice, de 37%, teve aulas com um professor de baixo desempenho. Agora transfira essa situação aos alunos brasileiros que nem ao menos têm aulas com professores graduados – estima-se que 213 mil docentes de 5ª a 8ª série da rede pública de ensino não tenham licenciatura.

Fonte: Revista Nova Escola, outubro de 2008

Os baixos salários são um dos motivos que desencorajam alguém a seguir a carreira de professor – afastando assim pessoas mais capacitadas para seguir a profissão. O salário é, em média, R$700,00, o que leva um professor a trabalhar em duas ou três escolas. E esse é outro fator que diminui a qualidade do trabalho do professor, pois se dedicar a diversos empregos é exaustivo e diminui as chances de mostrar todo o potencial do profissional. Um bom exemplo de qualidade é a Coreia do Sul, onde os professores, da pré-escola à universidade, são obrigados a ter mestrado e a trabalhar em apenas uma instituição de ensino. Ainda, tal profissão é uma das mais bem pagas do país.

A profissão de professor, infelizmente, é desvalorizada no Brasil. Mas esquecem que ela é um dos pilares da sociedade, que é essencial para a formação de cidadãos conscientes e críticos. Apenas quando for percebido o verdadeiro valor do professor o Brasil conseguirá crescer.

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